Cláudio Camargo avalia como ‘bom’ nível da campanha e credita o andamento do processo não apenas ao rigor da legislação, mas ao nível de conscientização do eleitor, que já não tolera mais excessos.
O juiz eleitoral Cláudio Camargo dos Santos foi um dos principais personagens desta campanha política em Maringá. Mesmo não aparecendo na mídia, ele foi o responsável pela aplicação de medidas inéditas originadas pelas novas regras da Justiça Eleitoral que dificultaram o trabalho dos candidatos e coligações, mas evitaram muitos aborrecimentos aos eleitores.
O juiz foi reservado, evitando aparecer inclusive em fotografias, mas fez cumprir a nova lei.
Em entrevista ao jornal Hoje Notícias, o juiz da 137ª Zona Eleitoral disse que acompanhou o horário eleitoral gratuito conforme a correria do trabalho lhe permitia e considerou que os candidatos apresentaram um bom nível.
Assim como foi a campanha, que os candidatos se respeitaram e também respeitaram as leis, sendo que poucos casos de ofensas foram apontados e julgados até agora. Cláudio Camargo dos Santos também avaliou as regras, os eleitores, a política, entre outras situações.
HOJE NOTICIAS– - O rigor das novas leis da Justiça Eleitoral teria deixado a campanha mais morna e inviabilizou o debate pela mídia?
CLÁUDIO CAMARGO – O nível foi muito bom. Tivemos um candidato da situação e sete de oposição.
As críticas foram feitas e muitas veementes.
O que é proibido é ofender e isso ocorreu pouco, umas três ou quatro vezes. Se respeitar é uma campanha morna, que seja sempre morna. A oposição que está pleiteando uma vaga, exerceu com dignidade. É uma virtude e não como em anos passados onde se priorizava ofender a honra, o que é crime eleitoral.
Qual é a tendência destas regras eleitorais: flexibilizarem ou ficarem mais rígidas?
É sempre evoluir. Se a evolução for para flexibilizar, que haja. Se for para tornar mais rígida, que venha.
O importante é evoluir.
O TSE e o Congresso Nacional tem que debater e discutir até com os próprios partidos como está a propaganda para manter os aspectos positivos. Por mim, não falo pelos juízes eleitorais, há algumas brechas que foram definidas com a campanha em andamento. Como os tamanhos das placas nos comitês dos candidatos, havia discussão sobre qual tamanho poderia e o TSE definiu isso no meio da campanha. Precisaria que a campanha começasse já com essas definições.
Mesmo com as novas regras, alguns candidatos ou coligações insistiram em apresentar denúncias infundadas, como se fosse picuinhas, só para atingir os adversários.
Isso é uma cultura dos políticos?
É uma cultura ainda. Alguns pensam, talvez, que entrando com mais medidas judiciais poderá ter vantagem no resultado da eleição. Isso não é verdade. O eleitor não escolhe candidato que entrou com mais representações e nem deixa de votar em quem sofreu mais representações.
De qualquer forma, a Justiça Eleitoral respeita os posicionamentos de cada candidato e coligação.
A nossa obrigação é acolher o pedido e dar uma decisão.
O senhor foi bem atuante, mas não apareceu muito, não gosta de sair em fotografias. É uma maneira de se preservar ou esse é o papel do juiz?
A Justiça Eleitoral é impessoal, é um órgão. O juiz não precisa ficar aparecendo. São os candidatos que tem que aparecer, eles estão pleiteando um cargo e a população está focada neles e não na Justiça.
É como no futebol, o comentarista fala que se a arbitragem aparecer, atrapalha o jogo. O jogo é bom quando a arbitragem não aparece.
Esta campanha em Maringá houve menos comícios, pesquisas e debates. Isso foi bom ou ruim para o processo eleitoral?
O comício teve uma mudança importante. Era um show, com banda, cantor, por isso recebeu o nome de showmício.
Quem tinha mais condições econômicas, trazia bandas e artistas mais famosos e levava o povo para ver. Na lei atual quem são os artistas são os candidatos, que tem todo o direito de fazer propaganda sem abuso. A pesquisa não é minha área.
Mas, elas foram divulgadas...
não sei se foram como antes. E os debates dependem das TVs, partidos, coligações, candidatos.
O eleitor ainda não acompanha o desenvolvimento do trabalho dos candidatos nos quais vota. Ainda falta uma consciência política para a população?
O eleitor precisa de mais consciência política de uma maneira geral. Mas, percebemos alguns avanços. Notamos que o eleitorado não aceita mais certas práticas abusivas como carros de som, panfletagem nos semáforos e outras práticas abusivas. A sociedade, de uma forma geral, está preocupada com o crescimento da conscientização política. Também há as instituições.
O IAP nos procurou para fiscalizar os santinhos. Há o Comitê 9840, OAB, SER, Arquidiocese, entre outros órgãos que se organizaram para ajudar na lisura da campanha eleitoral. Foi uma evolução muito boa. Estamos conversando para que o Comitê 9840 acompanhe todas as sessões da Câmara de Vereadores na próxima legislatura para divulgar para a comunidade.
Muitos dos políticos não têm formação política, não estudam, são empresários bem sucedidos, se destacam nos bairros e se candidatam.O senhor acha que os candidatos deveriam ter uma formação ou fazer algum curso para ser político?
É indiferente, até pela Constituição não há necessidade de ter formação educacional completa ou boa. Basta preencher os requisitos, se cidadão brasileiro... O diploma não é sinônimo de competência e idoneidade. Muitos candidatos com diploma são manchetes em jornais por escândalos e corrupção.
Qual o conceito da política em Maringá?
[pensativo] Difícil... Temos que pensar no nível municipal... o prefeito e os vereadores não vão trazer novidades que dependem de leis federais, estaduais e renovação da Constituição. Em Maringá a política é bem feita no geral. A situação expõe o que fez e a oposição expõe o que entendeu por falhas, defeitos e omissões. Cabe ao eleitor decidir