Ao custo de R$ 32,5 milhões, o Museu do Futebol, inaugurado no último dia 2 no Estádio do Pacaembu, valoriza interatividade para conta história.
Em uma das 1.442 fotos do Museu do Futebol, o compositor Pixinguinha, um dos maiores nomes da música popular brasileira, é retratado sorridente em São Januário, campo do Vasco, seu time de coração.
O que faz uma fotografia do autor de “Carinhoso” dividir espaço com figuras como Charles Miller, Arthur Friedenreich e Pelé no mais novo espaço dedicado a memória do futebol brasileiro, o Museu do Futebol, aberto ao público no último dia 2 no Estádio do Pacaembu, na capital paulista? “O futebol brasileiro, como fenômeno cultural, é tão importante quanto a música, a arte... O Brasil nunca ganhou um prêmio Nobel, mas se houvesse essa premiação para a música e para o futebol, certamente já teríamos ganho”, responde o curador do novo museu, Leonel Kaz.
Equiparar os grandes nomes do futebol à expoentes da arte nacional é uma das propostas do Museu do Futebol, que custou R$ 32,5 milhões e levou 13 meses de reformas e construções no Paulo Machado de Carvalho. No fim das contas, São Paulo ganhou um divertido passeio pela história do futebol brasileiro, e não um aglutinado de troféus e camisas de clubes apenas. A interatividade é outro ponto forte do novo museu.
“Seria muito chato contar a história do futebol pentacampeão, que é muito bonita, através de datas e documentos. E também não somos um museu de acervo, de torcida. Nosso museu dignifica o futebol brasileiro.” O acervo distribuído nos 6.900 m2 do local, embaixo das arquibancadas, naentrada principal do Pacaembu, está dividido em três eixos: Emoção, História e Diversão. O primeiro procura mostrar a reação que o futebol provoca nas pessoas, a emoção da torcida no momento do gol. Tudo isso é contado com muitas imagens e sons.
O ponto alto são a Sala dos Gols, onde personalidades narram os gols que marcaram suas vidas, e a Sala do Rádio, com narrações famosas de Ary Barroso, Fiori Gigliotti, Oduvaldo Cozzi e Osmar Santos, entre outros.
O eixo História é o que mais se parece, de fato, com um museu. Da Sala das Origens à Sala das Copas do Mundo, há um painel de como o futebol chegou ao País e como rapidamente foi inserido na vida cultural dos brasileiros.
“O futebol está no nosso DNA”, diz Hugo Barreto, diretor da Fundação Roberto Marinho, que administrou o projeto. “Chegou pela elite branca, desceu até os pés-no-chão e ganhou o mundo com a folha seca (mítico chute do lendário Didi) e a pedalada (Robinho).” Os Mundiais - “1986: Telé Santana, o técnico briainlhante de duas Seleções sem sorte”, lê-se numa das boas legendas das fotos que estão expostas na Sala das Copas, outro destaque do novo museu. Oito totens, com fotos e imagens, contam as Copas.
Ao todo, o museu dispõe de seis horas de vídeo.
Um deles foi cedido pela cinemateca uruguaia, sobre a derrota brasileira na Copa do Mundo de 1950, no Rio.
O conceito de interatividade é bem explorado da Sala Jogo de Corpo, que faz parte do eixo da Diversão.
A principal atração é a possibilidade de se cobrar um pênalti diante de um goleiro virtual. A velocidade da bola e a potência do chute são revelados ao visitante.
A primeira exposição temporária do Museu do Futebol é a mostra “Marcas do Rei”, uma homenagem a Pelé. “O conteúdo do museu não será uma idéia fixa, estaremos abertos a novos conteúdos e exposições”, destaca o curador Leonel Kaz.
AS ATRAÇÕES Térreo - Grande Área, Sala Osmar Santos, Auditório Armando Nogueira, Bar e Loja; 1º Andar - Sala Pé na Bola, Sala dos Anjos Barrocos, Sala dos Rádios, Sala Jogo de Corpo, Bola Virtual, Chute a Gol, Slow e Pacaembu; 2º Andar - Sala da Exaltação, Sala das Origens, Sala dos Heróis, Rito de Passagem - A Copa de 50, Sala das Copas do Mundo, Sala Pelé-Garrincha, Passarela, Sala dos Números e Curiosidades, Sala da Dança do Futebol; SERVIÇO O ingresso custa R$ 6.
O horário de funcionamento é das 10h às 18h (não funciona em dias de jogos)