A idade, a rotina desgastante de treinos e viagens, a juventude e agressividade dos rivais, as tentações do mundo das celebridades e a constante especulação sobre aposentadoria. Nada é capaz de parar o fenômeno do surfe, Kelly Slater, que, aos 36 anos, conquistou seu nono título do World Championship Tour (WCT) em Mundaka, Espanha Como é da tradição local, quando um atleta vence, como comemoração é atirado de um pier no rio próximo à área de competição.
O surfista americano precisava apenas vencer o espanhol Aneko Acero, na bateria da terceira fase, para garantir os pontos que matematicamente lhe dariam o nono título. Eficiente como sempre (seu coeficiente de aproveitamento este ano é de 89% das baterias), ganhou com 14,96 pontos contra 10 do adversário e atingiu os 7.852 pontos no torneio que tornariam impossível ser superado pelo australiano Taj Burrow, vicelíder do ranking.
Depois foi só festa, tanto que o surfista teve o título carimbado pelo australiano Tom Whitaker na fase seguinte, 18 a 12,43, o que encerrou sua participação no evento.
Slater ostenta a marca de campeão mais novo e mais velho do circuito de surfistas profissionais no currículo - a primeira coroa veio quando tinha apenas 20 anos - e não esconde que uma de suas motivações para a conquista do título foi a decepção de ter sido derrotado pelo australiano Mick Fanning, campeão do ano passado.
“Vencer todos vindo de trás é ainda uma sensação muito doce”, disse o surfista. “É realmente muito bom voltar e ganhar depois de perder no ano anterior.” Outro fator que contribuiu para uma melhor performance em 2008 foi a vida pessoal. “Estou mais relaxado este ano”, disse Slater “Trabalhei um pouco nas minhas pranchas aqui e ali, e sempre lidei com minha mente e minhas emoções, mas alguma coisa (na vida pessoal) simplesmente entrou no lugar”, discursou, para comprovar que está em fase mais centrada.
A aposentadoria deve ficar para 2010. Sua patrocinada, a Quicksilver, ofereceu- lhe prêmio milionário para que chegue ao décimo título. Não que Slater esteja rasgando nota de 100 dólares: além dos prêmios obtidos nos 16 anos de competição, que já atingiram a cifra de US$ 1,7 milhão, o americano de Cocoa Beach também já reforçou a conta bancária com contratos de patrocínio e atuações no cinema e na TV - participou de seis filmes além do seriado “Baywatch” durante o período que deixou o surfe em segundo plano, entre 1999 e 2003 - que lhe renderam o status de um dos 10 homens mais bonitos da revista “People” e muitas namoradas, como a atriz Pamela Anderson ou a modelo brasileira Gisele Bündchen, com quem teve um breve romance tempos atrás.
Para os brasileiros, no entanto, a competição em Mundaka não acabou, porque Adriano de Souza, quinto colocado do ranking, ainda está na briga pela vitória.
Pega neste sábado o australiano Joel Parkinson nas quartas-de-final. Se conseguir a vitória na Espanha, poderá competir em casa, no Hang Loose WCT Brasil, no fim do mês, com chances de terminar a temporada como vice-campeão.